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           Mouves



« Gosto de sentir o efeito da respiração profunda,

ela cria espaço entre as células. »

Catarina Rosa




É pela respiração que o mouve começa. Um pouco menos que um movimento (menos forte, menos ruidoso, menos definido) : só uma deslocação subtil, quase imperceptível e, no entanto, fundamental, que cria a diferença entre o cheio e o vazio, o plano e o volume, a sombra e a luz.


A regra do jogo é frequentemente um rectângulo amarelo. Os pequenos traços que o compõem são as suas « células », que vivem à mercê da respiração da artista. Cada inspiração, uma contracção, e as células aproximam-se. Cada expiração, uma descontracção, um relaxamento, e as células dilatam-se, propagam-se no espaço, como ondas sonoras.

A respiração cria espaço : todo um novo espaço para desenhar… e é aí que o rectângulo amarelo explode em todos os seus estados.


Ao ritmo da sua respiração, Catarina Rosa desenleia a sua meada em formas claras, luminosas, compreensivas.  As suas matizes não são mais do que três e o seu desenho resume-se a pequenos pontos de costura. No entanto, a sua simplicidade é também toda a sua complexidade, pois as relações de formas e de cores não param de nos surpreender com o seu artifício. À mercê destas combinações, um retângulo declina-se em todas as suas aberturas possíveis, descontrói-se e reconstrói-se sem parar, numa coreografia bordada de formas inesperadas.


Um mouve, e o amarelo é verde. Um contra-mouve, e o verde vira azul. Um pequeno mouve ainda, e o desenho já é escultura. A folha de papel é um novo rectângulo a explorar, enquanto o fio, esticado, parece reencontrar o seu antigo ofício… e a dança continua, num mouve perpétuo…



                                                            Cecilia Braschi

                                                            Historiadora de Arte e Curadora Independente



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